11 janeiro 2012

Como seremos amanhã?

 Olá! Toda semana vou postar algum texto, pode ser de minha autoria ou não. Separei esse texto, que eu gostei muito e resolvi compartilhar com vocês.

"Estar aberto às novidades é estar vivo. Fechar-se a elas é morrer estando vivo.
Um certo equilíbrio entre as duas atitudes ajuda a nem ser antiquado demais nem ser super avançadinho, correndo o perigo de confusões ou ridículo.
Sempre me fascinaram as mudanças - às vezes avanço, às vezes retorno a caverna. Mas hoje tudo "anda" incrivelmente rápido, atingindo nossos usos e costumes. Nos usos e costumes a coisa é séria e nos afeta a todos: crianças muito precocemente sexualizadas pela moda, pela televisão, muitas vezes por mães alienadas. Se antes namorar era difícil, o primeiro batom rosa claro aos 15 anos, e não havia pílula anticoncepcional, hoje talvez amar ande descomplicado demais. Casamentos (isto é, uniões ditas estáveis, morar juntos) estão sendo atropelados pela incapacidade de fortalecer laços, construir juntos com alguma paciência.Talvez a gente esteja num casa-separa muito rápido, frequentemente deixando filhinhos, que nem pediram para nascer, e certamente não queriam se separar de nada nem de ninguém. São simplesmente levados de um lado para o outro. Na educação cansei de falar. Cada dia uma nova notícia, não se reprova mais ninguém e os alunos entram na universidade sem saber escrever, coordenar pensamento, ler e entender. Não todos. Não sempre, mas cada vez com mais frequência.  

Na saúde, acho que melhorou. Sou de uma infância sem antibióticos. A gente sobrevivia sob os cuidados de mãe, pai, avó, médico de família.
Dieta, que hoje se tornou obsessão, era impensável, sobretudo para crianças, e eu pré adolescente gordinha, não podia nem falar em "regime" que minha mãe arrancava os cabelos e o médico sacudia a cabeça: "nem pensar".

Em breve estaremos menos doentes: células tronco e chips vão nos concertar de imediato, ou evitar os males.Teremos de descobrir o que fazer com tanto tempo de vida a mais que nos será concedido... Nada de aposentadoria precoce, chinelo e pijama ( isso ainda se usa?). Mas, aprender sempre. Interrogar o mundo, curtir a natureza, saborear a arte viajar para Marte, e outras rimas exóticas.

Passear, criar, divertir-se, viajar! Quem sabe nos mataremos menos, se as drogas forem controladas e a miséria extinta. Não creio em igualdade, mas dignidade para todos. Talvez haja menos guerras, porque de alguma forma seremos menos violentos.

Leremos unicamente livros eletrônicos ou algo ainda mais moderno. As vastas bibliotecas de papel serão museus, guardando o cheiro da minha infância, quando  - se eu aborrecia minha mãe com mil perguntas - meu pai me sentava em uma dessas poltronas de couro me botava no colo uma dessas enciclopédias com figuras de flores, frutas, bichos, protegida por papel de seda amarelado.

As crianças terão outras memórias, outras brincadeiras, outras alegrias; os adultos, novas sensações e possibilidades. Mas as emoções humanas, estas eu penso que vão demorar a mudar.Todos vão continuar querendo mais ou menos o mesmo: afeto, presença, sentido para a vida, alegria. Desta, por mais modernos, avançados, biônicos, quânticos, incríveis, não podemos esquecer... Ou não valerá a pena nem um só ano a mais, saúde a mais, brinquedinhos a mais. 
Seremos uns robôs cinzentos e sem graça!"

Bom, esse texto foi publicado pela revista Veja e escrito por Lya Luft. O que acharam do texto? Abraços xx
Postado por Ana!

7 comentários:

Bru disse...

Adorei o texto!
Amo ficar lendo textos e refletindo sobre a vida, acho que todos deveriam fazer isso.

Jovens Leitoras disse...

Gostei do texto! Bem verdadeiro.

Beijos, Bárbara.
Sobre Meus Livros.

Portifolio das Letras - Juliana S. disse...

eu ja li esse texto, concordo totalmente com ele!

http://portifoliodasletras.blogspot.com/

Portifolio das Letras - Juliana S. disse...

Ja li e esse texto e concordo totalmente com ele!

Seguindo!

http://portifoliodasletras.blogspot.com/

Aymée Meira disse...

Já somos robôs, ou talvez zumbis... =x
adorei o texto... *-* gostei bastante. Lya Luft é bem talentosa... *-*
beijos
boa quinta!

Amy - http://thislovebug.net/macchiato

Cleide disse...

Lindo texto, isso é o que todo mundo deveria parar para refletir...
Bjks

Giovannia Elaine disse...

Muito bom o texto na íntegra, havia visto somente
uma adaptação dele.

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